Quando li pela primeira vez este pequeno trecho de Neruda, entendi algumas reações de certas pessoas, entendi que quando o ser humano não se ocupa de algo que lhe faça bem e que também faça um bem ao próximo, ele esta fadado a morrer aos poucos, tanto para ele mesmo como para os que o cercam.
" Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversar com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita a paixão, quem prefere o branco sobre o negro e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem pass todos os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitamos a morte em doses suaves, imperceptível recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente preserverança fará com que conquistemos um estágio espl~encido de felicidade, e que a insensatez humana seja algo para ser enterrado.
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